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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

O Ego e o SwáSthya Yôga



Extraído do livro Origens do Yôga do Educador DeRose

As modalidades de Yôga que se tornaram mais conhecidas nos últimos séculos eram do tronco medieval (Vêdánta-Brahmácharya). Uma característica dessa linhagem é o esforço para aniquilar o ego. Isso confunde muito os praticantes (e até instrutores) do tronco Pré-Clássico (Sámkhya-Tantra), pois esse conceito está bastante difundido na Índia de hoje e na literatura que proveio de lá. Como estudiosos que são, nossos adeptos travam contato, de alguma maneira, com a bibliografia que prega a aniquilação do ego e mesclam-na inadvertidamente com a proposta do SwáSthya Yôga.

Quando alguém nos desagrada, a atitude mais primária é querer livrar-nos da pessoa, ao invés de administrar o relacionamento e torná-lo produtivo. Quando um animal é indomável, a solução primitiva é castrá-lo. Assim fazem os Vêdánta-Brahmácharyas com o ego.

Nossa estirpe, 4.000 anos mais antiga, tem outra opinião. Nós entendemos que o ego é uma ferramenta importante do ente humano. Não queremos acabar com o ego, ao contrário, nosso método de trabalho atua no sentido de reforçar o ego para poder utilizar sua colossal força de realização.

Sem ego não há criatividade, combatividade, arte ou beleza. E mais: a maioria dos que declaram que o ego é isto, que o ego é aquilo, são hipócritas porque manifestam muito mais ego que os outros; frustrados por não conseguir eliminá-lo; ou mal intencionados por utilizar esse argumento para manipular seus seguidores.

Anular o ego seria como castrar um animal de montaria e depois utilizá-lo, caminhando cabisbaixo, sem libido. Trabalhar o ego equivale a domar e montar um cavalo andaluz “inteiro”, fogoso, orgulhoso, com sua cabeça erguida e suas passadas viris. Você é o Púrusha, sua montaria é o ego. Você prefere montar um pangaré derrotado ou um elegante garanhão?

Castrar o ego seria fácil demais. Domá-lo, isso sim é uma empreitada que requer coragem e muita disciplina. Eliminar o ego corresponde à covardia e fuga perante o perigo. Adestrá-lo denota coragem e disposição para a luta.

O SwáSthya Yôga, nome moderno do Dakshinacharatántrika-Niríshwarasámkhya Yôga, quer que você não seja castrado. O SwáSthya reforça sua libido e o seu ego. Em seguida, canaliza essa força resultante para fins construtivos. Ter ego não é o problema. Tê-lo deseducado, selvagem, incivilizado, criador de casos e de conflitos com as outras pessoas, esse é o grande inconveniente. Basta não nos esquecermos de que devemos mandar nele e não o contrário.

Portanto, no lugar de envidar esforços para destruir, vamos investir em algo construtivo. Nada de destruir o ego. Vamos cultivá-lo, com disciplina e a noção realista de que precisamos dele para a nossa realização pessoal, profissional e evolutiva.

Já está na hora de sabermos converter energias negativas em positivas, como no quadro abaixo:

Positivo
(utilize:)
Negativo
(no lugar de:)
Amor
Paixão
Zelo
Ciúme
Erotismo
Luxúria
Raiva
Ódio
Orgulho
Vaidade
Ambição
Cobiça
Admiração
Inveja
Precaução
Medo
agressividade
Violência
Sinceridade
Franqueza
prosperidade
Opulência
Diplomacia
Hipocrisia
Liberdade
Anarquia
Disciplina
Repressão
Sugestão
Crítica
Colaboração
Reclamação

Sim, a coluna da esquerda apresenta alguns sentimentos que nossa cultura judaico-cristã considera depreciativamente. Contudo, a raiva constrói. A agressividade educada conduz à vitória. Dessa forma, eliminando o ego, o erotismo, a raiva, o orgulho, a ambição, a agressividade, todos os tratores do sucesso são igualmente eliminados.

No SwáSthya não queremos lidar com fracassados. Queremos gente forte, com um ego poderoso, mas educado.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Pálido Ponto Azul

Inspirado pela fotografia da terra a 6,4 bilhões de quilômetros de distância, Carl Sagan escreveu o livro Pálido Ponto Azul (Pale Blue Dot), em 1994.

Dois anos depois, numa conferência, Sagan falou sobre os seus pensamentos a respeito desta fotografia. Confira no vídeo abaixo o seu ponto de vista.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Programação para o sucesso

Texto extraído do livro Tratado de Yôga do Educador DeRose.
Atribuo muito do sucesso que tive na vida ao fato de exercer uma reprogramação constante ao longo dos anos.

Criei fórmulas segundo as necessidades de cada momento e fui aperfeiçoando-as. Com o passar do tempo, descobri construções de frases com a propriedade de ir diretamente aos setores do inconsciente que determinam as reações do indivíduo.  Ora, são as reações da pessoa, ou seja, sua maneira de reagir às circunstâncias da vida, que a direcionam para o sucesso ou para o fracasso, a ter amigos ou não tê-los, a ser saudável ou cultivar uma enfermidade, ser feliz ou infeliz.

Por exemplo, quando um desconhecido olha alguém insistentemente, uma pessoa menos educada poderá reagir com agressividade, retrucando: “O que é que você está olhando?”. Enquanto outra mais refinada poderá retribuir o olhar com um sorriso espontâneo e automático, pois essa é a forma pela qual reage naturalmente. O primeiro terá ganho um inimigo, poderá escutar o que não gostaria, poderá mesmo chegar às últimas conseqüências de um confronto. Já o segundo terá conquistado mais um amigo, uma pessoa que poderá até ajudá-lo no futuro. De reciprocidades fazem-se as histórias de sucesso na vida.

Portanto, não convence essa conversa de que tudo acontece de mal “só com você”. As mesmas coisas acontecem com todo o mundo. Só que alguns reagem com esportividade e simpatia, outros com paranóia e histeria.

Quanto à reprogramação emocional positiva, ela se mostra eficaz dependendo das construções verbais utilizadas. É preciso levar em conta que nosso emocional é uma criança. Vai pelo que lhe for mais agradável. Uma frase verdadeira que, entretanto, não tenha a métrica, a melodia e o sentido cativante, não consegue penetrar a blindagem com que o psiquismo se protege do bombardeio constante de sugestões procedentes do exterior, seja pela propaganda, seja pelas tentativas naturais de um interlocutor convencer o outro numa simples troca de idéias ou numa discussão sobre algum assunto mais acalorado.

Uma afirmação tal como “sou bonito”, provavelmente seria rejeitada pelo inconsciente e, portanto, nula para a maior parte das pessoas. Por outro lado, se aceita pelo psiquismo, tal afirmação constituiria a implantação de uma mera auto-sugestão, simples enganação que não levaria a nenhum progresso verdadeiro no sentido de aperfeiçoar sua boa aparência.

A reprogramação progressiva funciona assim:

(1o. estágio) “quero melhorar minha aparência pessoal”, conseqüentemente;

(2o. estágio) “vou progredir gradualmente para melhorar minha aparência pessoal”, e, conclusão;

(3o. estágio) “estou melhorando sempre mais a minha aparência pesssoal”.

Essa, sim, é uma estratégia convincente. Transmite maturidade, veracidade, consistência. Proporciona tempo e condições para que a ordem seja obedecida. Estabelecer metas e prazos é bem eficaz.

Para mentalizar de manhã, ao levantar:
Recebo este novo dia em minha vida com a disposição de ser uma pessoa melhor e mais feliz. Quero me reeducar gradualmente para servir melhor as pessoas com quem me relacionar neste dia.Vou aprender mais coisas, realizar algo de bom, regozijar-me com as coisas belas e simples como uma brisa, um raio de sol, um pássaro, uma flor. Quero ser mais tolerante hoje do que ontem, e amanhã mais do que hoje. Desejo compartilhar as boas coisas, bons pensamentos.

Se receber uma agressão:
Sei que essa pessoa está com problemas. A vida não deve ter sido tão boa com ela quanto tem sido comigo. Sou grato por isso. Assim, encontro forças para superar este incidente e seguir em frente a fim de usufruir o que a vida me reserva de melhor.
Quando alguém precisar de auxílio:
Sou mais feliz do que a maioria das pessoas. Quero fazer o máximo ao meu alcance para levar um pouco de felicidade a todos. Ainda que isso me custe algo, sinto-me recompensado por ter sido mensageiro da felicidade. Portanto, não espero nenhum reconhecimento nem gratidão.

Se algo correr mal:
Podia ter sido pior. Estou feliz por ter sido só isto. Mesmo assim, quero que no futuro minhas atitudes reduzam as probabilidades de que circunstâncias assim voltem a acontecer.
Confira este e outros textos no site: www.yogajoinville.com.br

sábado, 24 de julho de 2010

O Mistério das cousas


Poema de Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

Há metafísica bastante em não pensar em nada.
O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.
 
Que idéia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do mundo?
Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).
O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol, 
E já não pode pensar em nada, 
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.
 
Metafísica? Que metafísica tem aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas, 
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?
 
"Constituição íntima das cousas"...
"Sentido íntimo do universo"...
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.
 
Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentando, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.
 
O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.
 
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, aqui estou!
 
(Isto é talvez ridículo ao ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende que fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)
 
Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e o sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
 
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
 
E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si-próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda hora.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

A Nossa Cultura


Extraído do Blog do DeRose: www.MetodoDeRose.org/blog

Os candidatos, quando me procuram, não estão interessados em paliativos para mascarar as mazelas do trivial diário. Eles estão interessados em absorver uma cultura. Segundo o Dicionário Houaiss, cultura significa, entre outras coisas: conjunto de padrões de comportamento, crenças, conhecimentos, costumes etc. que distinguem um grupo social. Pois bem, Nossa Cultura é uma reeducação comportamental que contempla especialmente o bom relacionamento entre os seres humanos e tudo o que possa estar associado com isso (por esse motivo, foi sugerido que nossa profissão se denominasse sócio-humanismo).

Esta proposta seleciona o público mais afeito à cultura e faz alusão ao fato de que não ensinamos apenas algumas técnicas, mas que transmitimos uma cultura. Como consequência, ficamos atrelados ao Ministério da Cultura e não ao Ministério da Educação. Em reunião que tive em Brasília com o Ministro Gilberto Gil, ele me disse uma frase memorável: "Conhecimento é com o Ministério da Educação. Autoconhecimento é com o Ministério da Cultura", que é o nosso caso.

Procuro reeducar meus leitores para que se tornem pessoas melhores, mais polidas, mais viajadas, mais refinadas, mais civilizadas, mais cultas, que aprimorem inclusive sua linguagem e boas maneiras. Sugiro uma revolução comportamental, propondo uma forma mais sensível e amorosa de relacionamento com a família, com o parceiro afetivo, com os amigos, com os subordinados e até mesmo com os desconhecidos.

Recomendo que eventuais conflitos sejam solucionados polidamente, sem confrontos. Como complemento a esta proposta, ensino reeducação respiratória, reeducação postural, reeducação alimentar etc., proporcionando condições culturais e sociais para que as pessoas tenham uma qualidade de vida melhor e os jovens se mantenham longe das drogas. Tudo isso junto, em última análise, contribui para o autoconhecimento.